Países da América Latina negociam harmonização do uso do Ginga
Durante a SET 2010, evento do setor de radiodifusão que acontecerá de 25 a 27 de agosto, na capital paulista, uma saia justa do mercado pode ter, enfim, uma solução.Os países da América Latina e que aderiram ao SBTVD vão assinar um memorando pela harmonização no uso do Ginga. Objetivo é encerrar o debate entre Ginga NCL-Lua, patrocinado pela Argentina e pela Bolívia, e o Ginga Full, defendido pelo Brasil, revela o assessor da Casa Civil, André Barbosa.
Realmente havia uma preocupação com o fato de a Argentina e, agora, a Bolívia, que recém-aderiu ao SBTVD, centrassem todos os seus esforços de interatividade no Ginga NCL-Lua, e não, no Ginga Full, com NCL e Java, defendido por nós. Mas houve o repasse de informações que esses desenvolvimentos foram apenas para incentivar a adoção da interatividade, afirmou Barbosa, em entrevista ao Convergência Digital.
Barbosa admite que a divisão preocupa a indústria – a Argentina, por exemplo, está produzindo conversores apenas com o Ginga NCL e há dúvidas com relação ao legado no momento de migrar para o Ginga Full, por causa da escala de produção, mas garante que o memorando de harmonização do uso da interatividade tende a solucionar os impasses. Se houver um acerto entre as partes é possível trabalhar para se ter o menor legado possível, observou.
Apesar de adotar um tom bastante cauteloso, o assessor da Casa Civil questiona se a opção do Brasil pelo Ginga Full – NCL e Java integrados – não teria sido inadequada. A interatividade não aconteceu como se esperava. Será que se tivéssemos apostado no NCL-Lua, até termos condições de ir para o Ginga Full, não teria sido uma estratégia mais acertada?, indaga. É bom lembrar, no entanto, que o uso da linguagem Java no Ginga foi defendida pela Rede Globo. A emissora, maior do país, considerava uma temeridade investir em interatividade comercial apenas com o NCL-Lua.
Outra meta do governo é solucionar a questão dos conversores. Barbosa admite que o encontro realizado em Manaus, com o patrocínio da Suframa, para a produção local dos setup-boxes, não trouxe o resultado esperado. Não fechamos a equação como pretendímos, muito em função de as pequenas e médias indústrias voltarem suas atenções para os conversores para TV via satélite, que cresceu muito no país, diz.
Mas, agora, passada a Copa do Mundo – que incentivou a venda de tvs com conversores embutidos – há uma oportunidade para explorar o negócio. Dados da Eletros revelam que foram vendidos 2,3 milhões de aparelhos de TV com conversores embutidos até o momento. Expectativa é que esse número chegue a 5 milhões, mas esses novos equipamentos estão majoritariamente nas classes A e B, e em alguns casos na C. Nas classes D e E, o retrato é diferente.
Precisamos atingir esse público que se foi às compras adquiriu uma TV de tela plana analógica sem o conversor. Há um parque muito grande desses aparelhos e haverá a necessidade de equipamentos, salienta Barbosa. Para atender esse segmento, o governo prevê a produção de 15 milhões de conversores até 2013. Recursos para atrair a indústria não faltam. Pouco se gastou até agora da linha de R$ 1 bilhão para a TV digital no BNDES. Vamos tentar criar modelos de negócios, afirmou.
Para acelerar o processo, governo se compromete a criar dois grupos de trabalho – um para a distribuição e fabricação do conversor – e outro para discutir o uso dos recursos públicos e de desonerações fiscais. Intenção é que os grupos apresentem os primeiros relatórios num prazo de três meses.









